
Existe uma grande dificuldade em expressar com palavras várias questões do comportamento humano. Deixar para que a arte, com suas sensíveis ilustrações fale do que é tão difícil escrever, é uma boa saída. Uma música e um filme tiveram sacadas incríveis e muito interessantes para pensar várias questões da vida como ela é.
O filme é o nacional de Heitor Dhalia, "O cheiro do ralo”. Suas metáforas são muitos boas e falam de uma questão masculina bem evidente, que é o prazer em ver o corpo feminino. A imagem por si só deste corpo, que estimula prazer e acaba afastando o ator do filme de sentir algo mais em sua vida, traz um sofrimento nem sempre notado pelo homem.
A música "Armadura", do Otto, também trilha este caminho. Com este nome, que é praticamente um trocadilho com arma-dura, o homem com sua pele dura olha pelo buraco da fechadura e diz que não pode ter a tal felicidade. Ou melhor, não pode ver a tal felicidade.
Pensar sobre esse filme e essa música pode nos dar a idéia de que muitos de nossos sentidos perdem seus valores e outros são supervalorizados de maneira enlouquecida, como no caso da visão. Assim, dentre nossos cinco sentidos que aprendemos a diferenciar quando criança, tato, olfato, paladar, audição e visão, apenas esta última é estimulada com mais intensidade por nossa sociedade. Por quê?