intervenções urbanas

__
autor desconhecido, Chile.








"Nós não podemos começar de um jeito perfeito e belo. Não tenham medo de começar como tolos, comece como um tolo."
Chogyam Trungpa

re-lacionamento

Azarar sem violência, mesmo que seja só por maldade
Paquerar com liberdade mas na maior inocência
Namorar sem malandragem, estraga o filme dá prejuízo
Copular sem sacanagem é um atalho pro paraíso
Na inocência
Sem sacanagem
Só por maldade
Mas pode ir dando adeus, a galinhagem, a malandragem e as cantadas baratas
Você não é mais dono do seu nariz
O aprendiz de Dom Ruam foi aposentado

Frequentar a casa dela, sinal de alerta, perigo a vista
Conhecer toda a família, oléo na pista, olha o barranco
Expandir o patrimônio, não digo nada é um aviso
Contrair o patrimônio, é um atalho, não digo nada
Sem sacanagem
É um atalho
Pro manicômio

É hora de se despedir dos amigos, das baladas homéricas e das farras intermináveis
Você não é mais dono do seu tempo
Diga adeus ao mundo dos livres, seus dias de rei da noite definitivamente ficaram no passado

Mais o legal é quando mesmo depois de alguns anos de clausura, você acorda ao lado da sua amada e se descobre um felizardo
O legal man, é saber que todos os acidentes de percurso valem a pena quando lhe aproximam ainda mais da pessoa certa
O legal é ir dormir sabendo que ao acordar você poderá mais uma vez contar todas as pintinhas e sinais da pele da sua escolhida, só pra ter certeza
Só pra ter certeza que não esqueceu nada, que nada saiu da sua ordem, o universo e os elementos continuam conspirando a seu favor
E você continua reinando, reinando enquanto dorme!

*Mundo Livre S/A














Esta criança,
não está aí,
é apenas um ângulo,
o ângulo que há-de vir,
e não há ângulos...

Ora este mundo do pai-mãe é precisamente o que tem de desaparecer,
é este mundo duplicado-duplo,
em estado de desunião constante,
com vontade de unificação constante também...

em torno do qual gira todo o sistema deste mundo,
malignamente sustentado pela mais lúgubre organização.

Antonin Artaud






Quando criança achamos as pessoas muito mais bonitas.

poder


... a ganância e o desejo intenso pelo poder, demonstram o tamanho de sua fraqueza.

fechadura


Obrigado por bater a porta, bata em todo lugar.


Existe uma grande dificuldade em expressar com palavras várias questões do comportamento humano. Deixar para que a arte, com suas sensíveis ilustrações fale do que é tão difícil escrever, é uma boa saída. Uma música e um filme tiveram sacadas incríveis e muito interessantes para pensar várias questões da vida como ela é.

O filme é o nacional de Heitor Dhalia, "O cheiro do ralo”. Suas metáforas são muitos boas e falam de uma questão masculina bem evidente, que é o prazer em ver o corpo feminino. A imagem por si só deste corpo, que estimula prazer e acaba afastando o ator do filme de sentir algo mais em sua vida, traz um sofrimento nem sempre notado pelo homem.

A música "Armadura", do Otto, também trilha este caminho. Com este nome, que é praticamente um trocadilho com arma-dura, o homem com sua pele dura olha pelo buraco da fechadura e diz que não pode ter a tal felicidade. Ou melhor, não pode ver a tal felicidade.

Pensar sobre esse filme e essa música pode nos dar a idéia de que muitos de nossos sentidos perdem seus valores e outros são supervalorizados de maneira enlouquecida, como no caso da visão. Assim, dentre nossos cinco sentidos que aprendemos a diferenciar quando criança, tato, olfato, paladar, audição e visão, apenas esta última é estimulada com mais intensidade por nossa sociedade. Por quê?

jurisdição

Da pele para dentro começa sua exclusiva escolha,
você elege o que pode cruzar ou não.

sexualidade, um corpo aprisionado.

... este corpo preso, que vai além do que se vê, do que se toca e do que se corta .




A sexualidade vem ao longo dos anos sendo atravessada por uma cultura dominante. Podemos dizer que as transformações ocorridas desde os séculos XVII e XVIII são resultados de uma ideologia que nos é imposta pelo sistema capitalista que aprisiona nossos corpos, levando à repressão de desejos sexuais.


Os fatores externos que aprisionam o corpo são produzidos por instituições, normas, leis, mecanismos econômicos e toda uma tecnologia política complexa, cuja finalidade é captar, e usar em seu beneficio a sexualidade individual e coletiva.


Para o crescimento do mercado capitalista é importante produzir corpos economicamente úteis, para que assim seja, eles devem se tornar e se constituir como seus próprios vigias, adestrando e lhes inculcando hábitos primários desde a infância. Quanto mais simples estes gestos e hábitos, mais fundamentais, mais determinantes.


A civilização significa disciplina, e por sua vez implica controle dos impulsos interiores, controle este que para ser eficaz, tem de ser interno. Quem sabe a psicologia faça um caminho inverso a esse, libertando as pessoas.

liberda - de - vir



Nossa vida é cada dia mais associada a mídia, que mostra como ela deve ser através de espetáculos tele transmitidos, onde o cidadão deve limitar-se apenas a assisti-los. Podemos pensar isso de uma maneira interessante através do Grande Irmão (tradução Big Brother), que é o espaço privilegiado no qual a mídia assume hoje sua função educativa.


Esse programa funciona como um dispositivo da sociedade de controle, mostra o objetivo do jogo que é formar os atores adequados, docilizados, como requer uma boa personalidade capitalista e tal como são seus alunos-telespectadores.


Também esta presentes essa função nas novelas, nos filmes e nos noticiários que mostram esse modo de viver tão demonstrado como desejável, verdadeiro e via única de sucesso desse mundo que demanda que sejamos como dita a burguesia. Um mundo que reconhecemos ser falso, mas que nada fazemos para mudar, talvez porque falte atitude.


Deveríamos recusar essa sociedade da vigilância: que observa, controla, espiona, registra e acompanha cada um de nossos movimentos. Mesmo se precisarmos por algum momento fechar os olhos ou colocar uma máscara para esconder nossas identidades, porque assim recuperamos o poder de nossos atos ou porque caracterizados nós sentimos segurança de uma forma engraçada e nos tornamos visíveis.


É uma pena que as pessoas não podem ver todo esse controle e sair as ruas reivindicando: EU NÃO QUERO COMPRAR COMO SOU!

idade da terra (1980)

"Trata-se de um filme que joga no futuro do Brasil, por meio da arte nova, como se fosse Villa-Lobos, Portinari, Di Cavalcanti ou Picasso. O filme oferece uma sinfonia de sons e imagens ou uma anti-sinfonia que coloca os problemas fundamentais de fundo. A colocação do filme é uma só: é o meu retrato junto ao retrato do Brasil.

Esse filme estaria para o cinema talvez como um quadro de Picasso. Os críticos estão querendo uma pintura acadêmica, quando já estou dando uma pintura do futuro.

Na criação artística o maior empecilho é o medo. Os autores que criaram grandes obras na América Latina venceram o medo para não sucumbir ao terrorismo do complexo de inferioridade. Eu, inclusive, rompi este complexo no berro.

Eu não tenho medo de criar, se tiver engenho e arte vou em frente. É necessário não ser babaca, pois a babaquice é o maior inimigo do artista.

Arnaldo Carrilho me disse uma vez diante das ruínas de Pompéia (era um domingo entre janeiro e março de 1965) que Simon Bolívar subiu no Vesúvio e de lá meditou sobre a América Latina: daí partiu para sua ação política. Verdade ou mentira quero partir do vulcão".

Glauber Rocha

fuga


"Livrem-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade.
Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas. Considerem que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade." (Foucault)

homofobia


É algo tão comum ter preconceitos com a homossexualidade que temos a impressão de ser algo natural a todo mundo. Mas não se engane, ninguém nasce com este sentimento e certamente existiram interesses maiores ao fazer as pessoas pensarem assim.




Um dos motivos da discriminação, seja ela de raça, classe social ou sexo, é a possibilidade de criar um jogo dominado x dominador. É um jogo de forças, onde um dos lados leva mais vantagem que o outro e tem como objetivo capturar e exercer controle sobre as vidas.




É muita ingenuidade pensar que a sexualidade faz sentido apenas no corpo (biológico) e que tem valor unicamente no sentido da reprodução. A sexualidade tem a ver tanto com nossas crenças, ideologias e imaginações, quanto com nosso corpo físico. E é através de nossa história que aprendemos a sentir prazer pelas coisas, e onde realmente compreenderemos a sexualidade.




Já não faz mais sentido dizer que existe o “normal”, que ele é o heterossexual e ainda que todas as pessoas independentes de seus desejos devam segui-lo docilmente, felizes ou não com esta obrigação. Aprender a respeitar as diferenças já é uma questão fundamental de nossa sociedade moderna, que a cada dia está ainda mais diversificada.

mulher x boneca






As mulheres lutam por um corpo perfeito, lutam por uma beleza feminina estampada e divulgada pelos veículos de comunicação. Para a mídia tem que ser magra, ter cabelos lisos, cintura fina, nádegas empinadas, seios grandes e outras infinitas características, que diariamente são expostas aos nossos olhares.


Vinculada a imagem desses corpos perfeitos temos a felicidade eterna. A indústria da publicidade utiliza esse recurso para divulgar seu produto, e para que ele seja comprado com a promessa de que você leve junto a felicidade que te falta nos dias de hoje.


É estranho pensar que o importante é o formato externo da pessoa, que o homem vai escolher a mulher com determinadas curvas e cores, do mesmo modo como escolheria um carro. Apesar de que o carro ele não compra só pela lataria bonita, mas sim por um conjunto de qualidades do veículo.


Uma mulher e um carro, péssima comparação. Uma máquina comparada a um ser humano!


Dizer mulher e boneca seria melhor, pois cortar o corpo, costurar, por um enchimento, tirar um excesso, esticar daqui, aplicar algo ali, pode permitir uma comparação assim, afinal isso lembra a fabricação de uma boneca de pano.


Sim, é uma provocação dizer essas palavras! Pra pensarmos quanto sofrimento elas ainda precisam passar, quantas lipoaspirações, implantes de silicone, e outras coisas elas ainda terão que fazer, para alcançar uma ilusão totalmente inventada por nós mesmos?